llll

llll

domingo, 14 de agosto de 2011

Ele foi apenas um Pai!!!

Melchior Gonzales - meu Pai
Quando eu era criança, muitas vezes, fazia parte de minhas tarefas diárias, levar café para meu pai onde ele estivesse trabalhando. Para quem me conhece, sabe que meu pai foi carpinteiro, modéstia à parte, um dos melhores. Pegava minha Monareta e seguia. Assim que depositava o 'embornal' no chão, ficava esperando meu pai ir lavar as mãos para vir tomar seu café e ali, sentados em qualquer lugar, ficávamos conversando um pouco até que ele terminasse de comer, meu pai era surdo, não lembro de quando ele escutava, quando eu nasci ele já era surdo, mas para mim isso sempre foi muito natural, a gente conversava, ria, ele gostava de fazer piada das coisas e falar de seu trabalho, somente muito mais tarde me dei conta de que ele era 'especial'. Quando acabava de comer, me entragava o embornal, que às vezes eu trazia de volta, às vezes eu deixava lá pra ele tomar mais café. Ainda hoje, depois de tanto tempo, me pego lembrando desses momentos, o olhar de meu pai, suas palavras, seu suor escorrendo pelo rosto, pelos braços, o cheiro de madeira misturado com suor desprendido de tantas marteladas para erguer as casas que até hoje existem aqui em Ivatuba, inclusive a que eu moro, que ele não fez pra nós, mas para uns antigos moradores. Depois minha mãe a comprou. Meu pai nunca foi obsecado por dinheiro, trabalhava e entregava para minha mãe administrar, juntos conseguiram algumas coisas na vida. Mas nenhum dinheiro compra os momentos que vivi com meu pai, a limonada que fazia e trazia para mim, o pão com alho frito ou com banana amassada, o seu 'sorvete de mandioca' - ele era metido a inventor: inventou a máquina de plantar alho e uma peça de segurar cano na boca de poço, essa ele patenteou! vivia inventado coisas, ferramentas, utensílios. Agora eu sei de onde vêm minhas doideiras, essas de sonhar grande... Meu pai foi meu herói, seus braços pareciam tão grandes quando me carregava para o hospital para fazer curativo no pé cortado pelo machado e depois me levava no bar para me dar um doce enquanto enxugava minhas lágrimas de criança de três anos. Hoje ele não está mais comigo, mas os seus ensinamentos sim, a humildade, a paciência - é de prego em prego que se constrói a casa-, o amor pela política e pela justiça (amava o Lula e não conseguiu vê-lo Presidente) , a vontade de rir com pessoas que gostam de ser feliz, esse espírito meio que selvagem, duro de conter no peito, essa paixão incontida por pessoas e causas, tem gente que diz que isso é o tal de sangue ruim de espanhol, pode até ser... Tenho orgulho do pai que tive e lembrando dele quero desejar a todos os pais o melhor, não somente hoje, mas todos os dias. Quero que seus filhos tenham o amor e o orgulho que eu tenho ainda pelo meu PAI...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é bem vindo.